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Renato Sousa


Início / Novidades / BURACO II - Editorial (Novembro 1974)

BURACO II - Editorial (Novembro 1974)

Contributo de: josé eduardo marques Offline
Tópico: Novidades
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1. CONSCIENCIALIZAÇÃO

“O BURACO” não defende quaisquer facções ou cores políticas. Constrager-me-ia profundamente o simples facto de alguém se abalançar a situar-me nas direitas, nas esquerdas ou no centro.
O meu único partido é o género humano; a sua sede o planeta Terra…
Vivo apenas norteado por imperativos de consciência, na leal observância das multisseculares leis que regem a convivência dos homens. Respiro, deleitado, novas vivências, embriaga-me o gosto acre do momento presente, anseio continuamente o embate áspero do futuro. Os cinco sentidos bem despertos transmitem impressões que a consciência filtra, analisa e, finalmente, acolhe. Sou matéria moldável ao sabor da minha própria razão; persigo a perfeição como meta última e inatingível… (será que consegui finalmente definir Liberdade?).
As palavras anteriores tentam constituir um pré-aviso que não poderá ser talvez compreendido por todos. Serei agora mais claro e directo.
Sempre vivemos inundados por conceitos e palavras hostis. Antes fomos mentalizados a tremer à simples pronúncia das palavras SOCIALISMO e COMUNISMO; acenaram-nos com o papão da guerra civil se, como meninos bem-educados, não continuássemos quietos… e calados. Ouvem-se agora, para contrabalançar, palavras como FACISMO e FORÇAS REACCIONÁRIAS.
É certo que de vez em quando o peito se incha de orgulho à simples pronúncia de DEMOCRACIA: um pequeno sorriso pacato e burguês, aflora-nos ao lábios…
Mas é sol de pouca dura: se mudaram as palavras o velho terror ainda subsiste.
Que diabo! Será mesmo necessário continuar a tremer?
É com orgulho que esclareço estar o meu espírito apenas possuído pela quantidade de medo necessário e suficiente à minha sobrevivência física; já há muitos anos que deixei de tremer perante os fantasmas e quaisquer outras representações sobrenaturais! É absolutamente necessário ser adulto e coerente. Portugal, todo o povo português, terá em breve de escolher os homens que hão-de dirigir e orientar na construção do futuro. Penso que na altura já seremos todos civis, de novo entregues às actividades profissionais que o serviço militar episodicamente interrompeu. Suspendamos então por momentos o nosso utensílio de trabalho – é fundamental ponderar com isenção!
Haverá muitos nomes na liça, variadíssimas opções nos serão propostas. Não nos deixemos influenciar por ideias ou rótulos hipoteticamente macabros. Esqueçamos os dísticos políticos que sobre eles pendem: FASCICISTA? SOCIALISTA? REACCIONÁRIO? COMUNISCA?
Devemos estar sempre positivamente borrifando para o quer que lhes chamem! Atentemos em cada homem de per si, medindo o alcance e validade dos seus ideais, descontando tudo o que se nos afigure irracional ou meramente panfletário.
É preciso que cada português comece a pensar sempre e só pela sua cabeça; que não adira, por comodismo, apenas à opinião da maioria; que saiba dizer SIM e NÂO conforme o veredicto da sua consciência. Os carneiros unem-se em rebanho porque são fracos e têm medo – mas assim apenas conseguem retouçar a erva já calcada pelas patas de outros.
E se eu mandasse decretaria apenas uma lei universal: É PROÍBIDO TER MEDO.

PS: Já fui criticado por muitas coisas durante a vida. Mas nada me deu mais satisfação que ter sido acusado de pensar em demasia.

Rodrigues
(0 palavras)


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