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Renato Sousa


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Ás Armas 2019

Contributo de: Teixeira Offline
Tópico: Novidades
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Ás Armas! – Foi o Grito que o sentinela soltou com todo o seu folego.

Ás Armas! – Foi o Grito que o sentinela soltou com todo o seu folego.
O inimigo que tinha pela frente era poderoso implacável “um tumor na próstata”.
A minha coragem era igual ao medo de ser vencido.
A Doutora:
- Não fique assim, nos temos armas.
Não foi este o termo que a doutora Vânia usou, ela tem o posto de general mas nunca andou na guerra.
Dentro da minha cabeça um turbilhão de ideias em completa desordem, eu podia morrer dentro de pouco tempo então encostava-me a cadeira e respirava fundo ao mesmo tempo baixava a cabeça para aceitar o que me estava a acontecer.
A doutora:
- Nós podemos ir para a cirurgia radical, radioterapia ou braquiterapia, você pode pedir uma segunda opinião e daqui a um mês voltamos a falar. Quando a Doutora falou em um mês, senti o garrote a soltar-se um pouco.
As imagens que mais me passavam pela frente eram imagens da televisão, o caso do presidente da Venezuela Hugo Chaves, um exército de médicos, milhares de poços de petróleo e foi vencido, assim como outros casos mais ao menos próximos.
A par de estes casos tinha uma história de sucesso contada por o nosso camarada e amigo Abílio Gomes, tratado na Fundação Champalimaud, sentia-se curado graças a um novo tratamento.
Cheguei a casa e contei á minha companheira e pedi-lhe para não divulgar pelo menos para já.
Disse-lhe:
- Existem muitos casos de morte súbita e os doentes não comunicam a ninguém.
No dia seguinte ela pegou no carro e sem outro propósito foi a casa de uns amigos e contou-lhe a minha situação, esta atitude revoltou-me senti me mal, traído.
No dia seguinte era domingo, levantei-me e sai de casa só, passei por um supermercado peguei nuns vivres e fui sem destino, fui parar junto ao rio, era agosto um calor de assar, olhava o rio e a sua imortalidade e eu ali, uma insignificante criatura já muito perto do fim do seu curso.
Depois arrastei-me até um bar junto ao rio, bebi duas cervejas enquanto olhava as pessoas mais ao menos felizes, e eu via os meus projetos correr rio abaixo. Ao fim da tarde regressei a casa, estava deserta, entrei na cozinha levantei o testo de uma panela e dentro um coelho estufado, estava sem fome.
Para mitigar a minha angústia e enganar o meu medo, concentrei-me nas vantagens em morrer cedo. E há vantagens…
O tempo que nos resta a cada um de nós não vão ser os melhores, perda de mobilidade, perda de visão, audição e outros sentidos. O ambiente de um lar de idosos é quase sempre deprimente, solidão, abandono.
Contei ao meu irmão que foi operado com mesma doença, uns meses antes:
-Se alguém nos livrar desta não nos livra da morte.
Ele concordou:
- Isso não.
Eu até já brincava com os amigos, há moda do nosso “Quim barreiros”, a melhor idade para morrer é a fazer “69”.
Tinha em conta a história .do Abílio Gomes, então decide ligar-lhe. Contei-lhe o que se estava a passar comigo e pedi-lhe os contactos da Fundação Champalimaud. Marquei consulta de Urologia dai a três semanas (17 de setembro).
Neste dia apanhei o comboio e fui até Lisboa. Depois de duas horas à espera da consulta chegou até mim um urologista que me disse, o meu colega doutor Fonseca esta muito ocupado pediu-me para ver o seu caso, apresentou se Doutor Sipriano. Entreguei-lhe os exames que tinha na mão, ele analisou e disse- me que estava a ser bem orientado, boas praticas, eu perguntei se tinha vantagens em ser tratado nesta instituição.
-Pode ser em menos sessões de radioterapia, mas o resultado é o mesmo. Falou-me dos efeitos negativos do tratamento, caso de inflamação da próstata, dificuldade em urinar, inflamação nos intestinos e outros.
Sai da Fundação com o mesmo espírito com que entrei, triste por ter uma doença grave e contente por em princípio não ir já parar ao inferno. O meu filho mais velho tinha chegado a lisboa, vindo de Bruxelas onde trabalha, marcamos encontro no Padrão dos descobrimentos. Corremos os dois toda a zona ribeirinha até a praça do comercio, no dia seguinte chegou a namorada dele, durante dois dias fomos mais três turistas em lisboa, sempre cheia e sempre bela.
No dia 27 de setembro iniciei 39 sessões de radioterapia, diárias no hospital “Dia” em Braga, onde chegam todos os dias caras novas com as mais variadas doenças oncológicas.
O pessoal deste serviço merece o meu elogio, dedicação e respeito pelos doentes exemplar.
Não vos maço mais com a minha estória. Para já sinto-me bem.
Aguardo agora nova consulta em março.

Um abraço a todos e até á mealhada
(4456 palavras)


Autor: Comentário:
Renato Sousa

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Às Armas

Camarada e amigo, aqui fica o que te posso dar, ordenar-te (sim fui teu superior hierárquico) que não deixes de acreditar na vitória, ficas proibido de baixar os braços, para além das armas clinicas, há as armas do acreditar e lutar e a vitória sobre o inimigo fica mais próxima.
positividade é essencial.
Grande abraço
Renato
30.01.2020 - 01:23 Offline Renato Sousa renato at adelaideferreira.pt



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